“Não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus? ” D&C 6:23

SIM ou NÃO? Quando você precisa de apenas uma confirmação de Deus, como podemos saber se a resposta é sim ou não? Neste artigo 04 da série Deus Fala Comigo, do OrvalhoSUD, você verá e entenderá de que maneira Deus nos diz SIM.

Você já parou para pensar qual foi o primeiro testemunho do profeta Néfi, no Livro de Mórmon? Néfi provavelmente tinha uma vida muito boa, morava com sua família em sua casa e eles tinham muitos bens, até que certo dia, seu pai, o profeta Leí, ordenou que toda a sua família deveria partir para o deserto e deixar toda a sua vida para trás, sua casa, seus amigos, seus trabalhos, seus pertences etc. Já imaginou como seria difícil para nós se estivéssemos no lugar dele? A fé que Néfi tinha nas profecias de seu pai era muito grande, porém, às vezes podemos achar que era fácil para ele ter fé porque Néfi também teve muitas visões e revelações, mas não foi assim no início. A primeira resposta que ele recebeu de Deus, pelo que vemos nas escrituras, foi simples, vejamos abaixo.

“E aconteceu que eu, Néfi, sendo muito jovem, embora de grande estatura, e tendo também grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; por esta razão não me revoltei contra ele, como meus irmãos. ” 1Néfi 2:16

De acordo com o dicionário do site https://www.priberam.pt/dlpo/ , o verbo enternecer significa:

  1. Tornar terno.
  2. Mover à piedade ou compaixão.

Por sua vez, o adjetivo terno, significa:

  1. Suave, brando.
  2. Que mostra afeto ou carinho. = afetuoso, carinhoso, meigo
  3. Sensível.
  4. Que causa dó ou compaixão.

Podemos concluir que quando Néfi perguntou à Deus se ele deveria acreditar nas palavras de seu pai, ele sentiu em seu coração, em seu peito, um sentimento suave, brando, afetuoso, carinhoso, ele sentiu piedade e compaixão. Antes da oração nós podemos supor que Néfi estivesse sentindo dúvida e angústia, pois ainda não tinha certeza se deveria acreditar em seu pai ou não. Porém, após orar e ter sentimentos tão bons em seu coração, sua mente encontrou paz e ele recebeu sua resposta. Ele entendeu que Deus estava lhe respondendo sim, que ele poderia confiar nas palavras de seu pai, e por esta razão, ele não se revoltou contra ele como fizeram seus irmãos.

Vemos por meio desta escritura que Néfi compreendia muito bem como o Pai Celeste se comunicava com ele.

Quando perguntamos a Deus se devemos fazer algo, uma das maneiras pelas quais o Senhor nos responde “sim”, é fazendo-nos sentir paz, enternecendo nosso coração. Vejamos o que Deus ensinou a Oliver Cowdery em D&C 6:22-23

“Em verdade, em verdade eu te digo: Se desejas mais um testemunho, volve tua mente para a noite em que clamaste a mim em teu coração a fim de saberes a respeito da veracidade destas coisas.

Não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus? ”

Depois, o Senhor lhe disse em D&C 8:2-3:

“Sim, eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração.

 Ora, eis que este é o espírito de revelação; eis que este é o espírito pelo qual Moisés conduziu os filhos de Israel através do Mar Vermelho, em terra seca. ”

Começamos aqui a entender o padrão do Senhor. Note que o Senhor não diz que falará na mente ou no coração, mas Ele diz “falarei em tua mente e em teu coração. ” Ou seja, se você tiver sentimentos ternos e bons ao seu peito e, ao pensar no assunto, você se sentir em paz, a resposta de Deus é sim, vá em frente.

Imagine que você esteja passando por um momento de incerteza em sua vida, você precisa tomar uma decisão, precisa saber basicamente se a melhor resposta para sua vida é sim ou não. Você não precisa de mais detalhes, não precisa de palavras que te confortem e orientem através das escrituras (como vimos no artigo 01), você não precisa de um sonho que te mostre com clareza o que você deve ou não fazer (como vimos no artigo 02), você não está necessariamente buscando se sentir mais próximo do Salvador (como vimos no artigo 03), na verdade já está bem claro para você quais são suas opções, suas possibilidades de escolha, e a única coisa que você precisa saber de Deus é SIM ou NÃO. É sobre este momento que falamos neste artigo 04.

Quando você já souber exatamente o que fazer, e sua dúvida e angústia forem somente se você deve prosseguir em suas ideias ou não, então você deve estudar bem o problema em tua mente, depois você deve tomar uma decisão no seu coração, deve escolher em sua mente aquilo que você acredita ser o melhor. Depois você deve orar com fé e perguntar à Deus se sua escolha está correta. Observe seus sentimentos durante e após a oração, às vezes é preciso esperar até o dia seguinte. Então, ao meditar novamente sobre sua decisão, se você sentir paz quanto ao assunto, você pode prosseguir na sua escolha, Deus está dizendo sim para você.

É este o exato contexto em que nossos amigos Néfi e Oliver Cowdery se encontravam. Um queria saber se deveria acreditar no profeta Leí, o outro queria saber se deveria acreditar no profeta Joseph Smith. Sim ou não. Vemos que nos dois exemplos acima o Senhor lhes respondeu com um bom sentimento no coração que lhes deu paz à mente, acabando com suas dúvidas e angústias, mostrando-lhes que a resposta era sim. Precisa mais do que isso? O Senhor disse “não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus? ” Simples assim.

Mas e se a resposta for não? Como sabemos quando a resposta é não? Falarei sobre isso no meu próximo artigo, vamos focar agora em reconhecer o sim. Vou lhes mostrar quatro exemplos que aconteceram em minha vida.

Eu conheci a Igreja nos EUA enquanto fazia intercâmbio em uma High School e tive a oportunidade de morar com uma família americana que era mórmon. Eu sempre fui muito religioso, eu era Católico, e tinha muita fé em Deus e em Cristo, mas eu também tinha muita curiosidade em conhecer outras religiões pois eu tinha muitas perguntas e um desejo de me sentir mais próximo de Deus. Durante aqueles 11 meses em que morei com esta família, eu fui com eles todos os domingos à igreja e posso dizer que eu me apaixonei por ela. Que igreja fantástica, organizada, amorosa, que cristianismo equilibrado, sincero e diligente. Eu amava ir à Igreja e me sentia muito bem lá. Tive um grande desejo de me batizar, porém, como todos meus amigos americanos eram mórmons, minha família adotiva, meus professores da escola e toda a sociedade onde eu vivia era mórmon, eu fiquei na dúvida se aquele sentimento bom que me fazia querer batizar era mesmo por causa de Deus, ou era somente para eu me sentir mais aceito e parte daquela sociedade na qual eu estava momentaneamente inserido. Na dúvida, decidi esperar, eu não iria tomar uma decisão tão sagrada somente por pressão social. Decidi que voltaria ao Brasil, me adaptaria à minha vida como era antes, e somente 2 meses depois, após ter-me desintoxicado daquele “Espírito americano”, eu iria procurar a Igreja e ver como eu me sentiria em meu próprio país.

Voltei para o Brasil em junho de 1998, eu tinha 18 anos. Exatamente dois meses depois, em setembro, fiz conforme havia planejado. Eu havia vivido muitas coisas naqueles dois meses de Brasil, estava me sentindo popular por ser recém-chegado dos EUA, com muitos amigos e ficando com muitas moças, porém eu me sentia vazio e sentia falta, sentia muita falta de Deus. Finalmente, após 2 meses, chegou o momento de visitar a Igreja na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, e neste dia eu tive um sentimento que nunca irei esquecer. Ao chegar de bicicleta no portão da Igreja, eu me sentia inseguro e tímido, não conhecia ninguém lá, então um irmão veio até mim. Era o irmão Jaime, que era o presidente do quórum de Elderes, um irmão amoroso, que me recebeu com um belo sorriso e me convidou a entrar. Colocando as mãos nos meus ombros, ele me acompanhou Igreja adentro. Enquanto eu caminhava ao seu lado, eu senti como se fora o próprio Pai Celestial que estivesse me trazendo pelos ombros, meu corpo se encheu de uma paz indescritível, sentia como se eu estivesse andando em nuvens. Ao chegar ali, eu avistei os missionários, meu peito inchou, e então eu ouvi uma voz que veio até a minha mente que me disse: “Paulo, o que você está sentindo aqui é o mesmo que você sentia lá, porque esta não é uma Igreja de americanos, esta é a minha Igreja, a Igreja de Jesus Cristo. Você não tem mais que procurar, aqui é o seu lugar. ”

Como eu sou grato por aquele sentimento terno que o Senhor colocou naquele momento no meu peito. Eu sabia claramente quais eram as duas escolhas que eu poderia tomar naquele dia – eu poderia voltar para casa e continuar com a vida que eu tinha ou poderia ficar na Igreja e me batizar. Ao ir até a Igreja e sentir aquela paz indescritível no meu peito e na minha mente, eu estava começando a compreender o plano que Deus tinha para mim. Batizei-me duas semanas depois.

Em relação à voz que veio e falou a minha mente, eu escreverei outro artigo falando somente sobre isso. Nosso foco agora é na paz, a paz que nos diz sim.

Um ano e pouco após meu batismo, eu fui chamado para servir na Missão Brasil Salvador Sul, entre os anos 2000 e 2002. Minha primeira área foi em uma cidade do interior da Bahia chamada Jequié. Era uma Igreja ainda bem pequena. Nunca esquecerei da primeira vez que fui à Igreja em Jequié, pois novamente eu tive aquele mesmo sentimento forte de paz em meu peito. Lembro-me ,enquanto eu voltava da capela com o meu companheiro, de ter sentido aquela mesma paz que me fazia parecer que eu andava em nuvens. Eu me maravilhei com tudo aquilo e refleti sobre como que em 3 anos eu saíra de uma Igreja enorme dos EUA, para uma Igreja média no interior de São Paulo e depois para uma Igreja ainda bem pequena no interior da Bahia, três lugares tão diferentes, porém os sentimentos de paz que eu tivera nos três lugares eram exatamente os mesmos, era a mesma Igreja, em todas elas eu sentia Deus. Vejo que Ele estava novamente me confirmando que eu estava no lugar certo.

Minha fé nesta paz transmitida pelo Senhor se tornou tão grande, que tive uma experiência bem peculiar com um companheiro meu na missão. Estávamos indo visitar uma irmã que queria ser batizada e que vivia em uma favela. As favelas sempre parecem perigosas, mas como missionário eu nunca havia me sentido ameaçado de nada. Neste dia, enquanto íamos visitar a irmã, surgiram muitos policiais altamente armados correndo pelo corredor onde estávamos, na mesma direção da casa que iríamos visitar. Levei um susto. Nunca havia visto tantos policiais assim, com armas na mão, imaginei que poderia ser uma perseguição, que poderia haver um tiroteio, que poderia ser perigoso. Eu e meu companheiro ficamos parados por um tempo. O que vamos fazer? Poderíamos voltar para casa e visita-la outro dia, por que não? Mas decidimos orar, ali mesmo na rua, individualmente, cada um fez sua oração. Então, após orarmos, um olhou para o outro e disse:

“Como você se sente Elder? Eu me sinto bem.

Eu também me sinto bem. Então vamos. ”

Não havia medo em nós, não havia insegurança, não havia receio. Havíamos orado ao Senhor e Ele havia dado um sentimento bom ao nosso coração e paz à nossa mente, portanto a resposta era SIM, podíamos continuar. Fomos até a casa da irmã, terminamos de ensiná-la e ela foi batizada. Sabíamos quem era o nosso líder, sabíamos nos comunicar com Ele e isso, isso não tem preço. A missão é um excelente lugar para aprendermos a conversar com Deus.

Por fim, compartilharei uma última e mais recente experiência que eu tive em casa com minha esposa. Eu estava com um problema de saúde e a médica me receitara um remédio com possíveis efeitos colaterais terríveis. Minha esposa e eu ficamos assustados ao ler todos os possíveis males que estavam descritos na bula, então achamos melhor não toma-lo. Porém, passados alguns dias, eu pedi a minha esposa que orasse a respeito e eu iria fazer o mesmo. Meus sentimentos foram de completa paz em relação ao remédio, em minha mente e em meu coração não havia angústia alguma, portanto senti que a resposta era sim. Ao falar depois com minha esposa, ela me relatou os mesmos sentimentos, ela sentira paz. Tendo esta confirmação de Deus, decidi tomar o remédio. Já faz mais de um mês que eu o tenho tomado e não tive efeito colateral algum. Quando oramos em duas ou mais pessoas, a comunicação com Deus fica ainda mais clara e mais fácil, é sem dúvida muito melhor.

Este é o quarto artigo da Série “Deus Fala Comigo”, do OrvalhoSUD. Discorreremos nesta série sobre 21 maneiras distintas pelas quais Deus se comunica conosco. Eu sei que Deus pode nos falar por meio das escrituras, por sonhos, por um ardor em nosso peito ou enviando paz à nossa mente e ao nosso coração. Se você já teve alguma experiência semelhante, compartilhe-a nos comentários abaixo, caso sinta que deva. Curta nossa página no Facebook e assine nossa newsletter para receber as atualizações do nosso site. Nosso próximo artigo será “Quando a resposta é NÂO”. Até lá!