Você já orou por alguma coisa e pouco tempo depois viveu uma coincidência tão absurda e impressionante respondendo aquilo que você buscava, de forma que você não poderia aceitar ter sido tudo fruto do acaso? Você já sentiu que às vezes Deus propositalmente faz com que fatos se coincidam? Alguma vez o sincronismo perfeito entre dois ou mais fatos já te tocaram de tal forma que te deixaram com receio de dizer que foi coincidência, com medo de estar deixando de reconhecer a mão de Deus? É certo que existem coincidências que são meros frutos do acaso,  não mudam nada na sua vida. Por outro lado, há momentos em que buscamos a Deus e, como consequência, vemos diferentes fatos e ações entrarem em harmonia de maneira tão perfeita, notadamente respondendo aquilo que buscávamos, que não há como negarmos que alguma força maior fez com que tudo coincidisse. Quando isso ocorre, eu digo que houve uma “coincidência sagrada”, ou seja, uma sincronia entre fatos guiados por Deus para responder nossas orações, é Deus quem está falando conosco – é sobre isso que falará nosso 7º artigo da série “Deus fala comigo”.

Você já se deu conta da grande coincidência que aconteceu na terceira tentativa de Néfi para obter as placas com Labão? Observe:

“E era noite; e eu fiz com que se escondessem fora das muralhas. E depois de se haverem eles escondido, eu, Néfi, penetrei sorrateiramente na cidade e dirigi-me à casa de Labão. E fui conduzido pelo Espírito, não sabendo de antemão o que deveria fazer. Não obstante, segui em frente e, chegando perto da casa de Labão, vi um homem que havia caído no chão, diante de mim, porque estava bêbado de vinho. E aproximando-me dele, vi que era Labão”. 1 Néfi 4:5-8

Certamente vemos uma sincronia perfeita entre dois fatos, de um lado, Labão ficando bêbado e saindo pela rua sozinho e desprotegido de seus guardas, por outro lado, Néfi à procura de Labão, porém, sem a mínima ideia do que faria caso encontrasse com ele e seus guardas que, momentos antes, haviam tentado matá-lo. A correspondência entre os dois fatos permitiu a Néfi obter as placas e cumprir com a promessa que o anjo lhe havia feito. Através de uma coincidência sagrada Deus estava se comunicando e respondendo as orações de Leí e seus filhos.

No ano passado, a minha esposa e eu vivemos uma coincidência sagrada muito especial. Depois de quase 5 anos de tratamento para engravidar, descobrimos que tínhamos problema de infertilidade e, portanto, só poderíamos ter filhos por meio de fertilização in vitro. Isto nos frustrou e nos abalou muito emocionalmente. Por mais errado que fosse, era natural observarmos outras famílias com bebês e crianças e pensar, “por que não a gente? ” Apesar de sermos abençoados com várias outras coisas, naquele momento era difícil não focar nossos pensamentos naquilo que nós ainda não tínhamos – nossos filhos. Não queríamos ficar lamentando nossa vida, mas era difícil sentir gratidão. Com isso, certo dia decidimos ir ao Templo de Campinas com a seguinte pergunta para fazer ao Senhor – Como podemos nos sentir mais gratos? Esta era a pergunta pela qual oraríamos a Deus, e depois iríamos ler as escrituras nos jardins do templo para buscarmos entender como poderíamos sentir maior gratidão em nossas vidas. Lá chegando, logo na entrada do batistério, encontramos um casal de nossa ex-Estaca que também tinha dificuldade para engravidar. Ao conversar com eles, ficamos sabendo que a esposa havia ficado grávida, porém com 1 mês ela havia perdido o bebê. Lamentamos o ocorrido, conversamos um pouco e nos despedimos. Quando estávamos saindo do templo, depois de termos lido as escrituras conforme o combinado, encontramos no estacionamento com outro casal que havia sido de nossa Ala e que também tinham problema de infertilidade. Ao conversar com eles, ficamos sabendo que a esposa estava já na quarta tentativa de inseminação artificial, e que nas três primeiras tentativas o procedimento não havia resultado em gravidez. Lamentamos novamente o ocorrido, conversamos, e até decidimos dar uma volta juntos no shopping, o que foi muito prazeroso. Ao voltarmos para casa, minha esposa e eu começamos a conversar sobre a grande coincidência de termos encontrado com dois casais no templo que tinham problemas semelhantes ao nosso, porém em situações relativamente piores do que a nossa. Então, nos lembramos de qual havia sido a pergunta que tínhamos levado ao Senhor no Templo – Como podemos ser mais gratos? Naquele momento tudo fez sentido – sentimos que aquela coincidência tinha algo de especial, que ela vinha dos céus. Deus havia colocado em nosso caminho dois casais que tinham problemas semelhantes porém piores do que o nosso, mas que estavam no Templo de Deus e com um belo sorriso no rosto. Isto realmente nos tocou. Aprendemos que poderíamos ser mais gratos ao enxergar que há pessoas que passam por provações maiores do que a nossa, mas que não perdem a fé, nem a alegria de viver e de servir à Deus. Nosso Pai Eterno havia falado conosco através de uma coincidência sagrada, sim, Ele respondera nossa oração. Voltamos para casa nos sentindo mais gratos pelo que estávamos vivendo.

Deus fala conosco com uma frequência muito maior do que imaginamos, apenas precisamos treinar nossos ouvidos para ouvir e nossos olhos para ver essa comunicação divina. 

Compartilho agora com vocês as experiências com coincidências sagradas de dois amigos meus, Alex, de Araraquara, e Brandão, de Jundiaí.

O Alex se batizou ainda adolescente em São Paulo em 1999, permaneceu na Igreja até 2003 e depois ficou afastado até janeiro de 2017. Neste período ele se casou, estudou Engenharia e vivia sem religião alguma em sua vida, até que em novembro de 2016 tudo começou a mudar. Ele começou a conversar com sua esposa, Nilza, sobre aquela igreja da qual um dia ele havia feito parte, e sua mulher começou a ficar cada vez mais interessada em saber mais sobre o evangelho, o que o levou a compartilhar com ela muitas coisas através da internet, mostrando-lhe fotos dos templos e diversos vídeos do canal mórmon do Youtube. Nos anos que o Alex frequentou a Igreja ele havia aprendido a tocar piano, com isso, ele começou a tocar alguns hinos em casa para sua esposa, o que lhes tocava profundamente. Os dois então começaram a ter sentimentos que eram difíceis de descrever, nas palavras do Alex, era uma emoção “semelhante à uma saudade”, um sentimento muito bom, principalmente com os hinos. Passaram-se os meses de novembro e dezembro, e seus sentimentos em relação à Igreja ficavam cada vez mais fortes. Com isso, sua esposa desejou muito receber os missionários em sua casa, mas como eles estavam morando em uma nova cidade no interior de SP, Araraquara, o Alex não conhecia e não tinha o contato de ninguém da Igreja, ele não sabia onde encontrar os missionários. Então aconteceu que, em janeiro deste ano, houve um dia no qual a dupla de missionários responsável pela área do Alex pegou um ônibus para um determinado ponto da cidade do qual eles já estavam acostumados a tomar. Neste dia, simplesmente os dois missionários não viram o ponto onde deveriam ter descido, e quando se deram conta, eles já estavam longe do ponto certo, então pediram para o ônibus parar. Neste momento Alex estava de moto voltando da padaria quando avistou os Élderes atravessando a rua e chamou-lhes para conversar. A conclusão da história é que sua esposa ficou encantada com a mensagem dos missionários e foi batizada no mês seguinte, em fevereiro deste ano. Depois de 14 anos afastado do evangelho, o Alex retornou à atividade na Igreja e ambos estão radiantes com essa nova vida, graças ao “erro” dos Élderes. Coincidência?

São milagres como o da história acima que muitas vezes nós não enxergamos, pois geralmente esperamos por um milagre grandioso, por algo maior, porém, na maioria das vezes, são nas coisas simples e sutis que vemos a mão de Deus. Quanto tempo mais levaria para que eles encontrassem com os missionários? Com tudo o que eles estavam vivendo e sentindo, não era este o momento exato e ideal para que eles recebessem o evangelho? Certamente este era o momento certo para eles, e através de uma “coincidência sagrada”, acredito que Deus tornou possível que Alex encontrasse os missionários. Os Élderes não passaram do ponto por acaso, podemos ver aí a mão de Deus.

Por fim, compartilho a experiência do meu amigo Brandão, de Jundiaí. Brandão conheceu a Igreja no ano de 2013. Aproximadamente 13 anos antes disso ele viveu uma situação que tocou muito sua vida. Ao ir até uma oficina de carros na cidade de Jundiaí, SP, ele leu uma frase escrita na parede que chamou demais sua atenção. A frase dizia:

” Ser puro e honesto é ser diferente, tenha coragem de ser diferente! “

Aquela frase tocou-lhe profundamente, e ele resolveu copiá-la e colocá-la em um adesivo em sua Van, na qual trabalhava. Brandão sempre se considerou muito sincero, e achou que faltava essa qualidade para que aquela frase da oficina realmente o representasse por completo, por isso ele a modificou e a frase ficou assim:

“Ser puro, sincero e honesto é ser diferente, tenha coragem de ser diferente!”

Entre os anos de 2000 e 2002 este adesivo ficou em seu carro, e chamou a atenção de muitas pessoas, algumas chegavam até a chama-lo na rua para comentar. Foi uma frase que de alguma maneira ele sentia que era sua, refletia seu modo de ver a vida, sua forma de viver, e ele se orgulhava disso.

Quase dez anos depois desta história, Brandão passou por um momento extremamente difícil em sua vida, o que fez com que ele até mesmo se revoltasse contra Deus. Certo dia então ele “falou bravo” com seu Pai Celeste enquanto estava sozinho em seu quarto, cansado de se sentir prejudicado em sua vida, disse-Lhe em oração: “Meu Deus, se você realmente existe, então me prova isso colocando pessoas boas em minha vida!”.

Depois de fazer a oração acima, ele foi trabalhar normalmente, porém, naquela mesma semana ele passou por uma difícil provação – foi assaltado e roubaram sua Van, seu meio de trabalho. Não tendo como voltar para casa, ligou para sua esposa que, naquele momento, estava trabalhando com uma mulher que era mórmon. Ao saber do ocorrido, sua amiga disse que seu marido poderia ir buscar o Brandão de carro. Ele ficou surpreso com a gentileza daquela família, que ainda lhes convidou para um almoço. O Brandão aceitou o convite, e no almoço ele ganhou de presente um exemplar do Livro de Mórmon. Começou a lê-lo e no Domingo voltaram à casa daquela família para mais um almoço, desta vez na companhia dos missionários. O Brandão então começou a ouvir as mensagens e a frequentar a Igreja. Aos poucos ele foi se surpreendendo com aquela Igreja nova e os novos amigos que fazia, parecia que ele finalmente estava encontrando pessoas boas, conforme ele havia pedido a Deus em oração.

Apesar de estar se sentindo muito bem com a Igreja, o Brandão ainda não se sentia preparado para se batizar pois tinha algumas dúvidas. Talvez a principal de todas era a respeito do Profeta Joseph Smith. Muitos irmãos já haviam lhe prestado testemunho sobre o profeta moderno líder da restauração da Igreja, porém o Brandão ainda não conseguia sentir ou acreditar que Joseph realmente havia sido um profeta chamado por Deus. Enquanto os membros da Igreja tinham fé no chamado do Profeta, muitos na internet faziam-no parecer um homem muito ruim. Nosso amigo Brandão precisava saber por si mesmo se Joseph Smith era um homem bom ou não. Finalmente, em um domingo na capela, enquanto ele conversava com um irmão da ala sobre o profeta, este irmão lhe mostrou o capítulo 23 do manual “Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow”, intitulado “O Profeta Joseph Smith”. Quão grande não foi a surpresa do Brandão ao abrir o capítulo e ler a seguinte frase:

“Quando Joseph Smith recebeu seu chamado divino, era um rapaz puro, sincero e honesto. ”

 

Brandão não podia acreditar no que estava vendo, assim como um filme, muitos anos de sua vida voltaram àquela hora a sua mente, ele se lembrou de como aquela frase mais de 10 anos atrás havia tido um imenso significado em sua vida, havia estampado sua Van de trabalho por mais de 2 anos, havia sido seu símbolo, sua frase, …lembrou-se da importância do “sincero” que ele mesmo colocara entre o “puro” e o “honesto”, lembrou-se que estes eram os valores que ele mais admirava, lembrou-se da oração em seu quarto assim como Joseph orara antes de receber a visita do Anjo Moroni, e como depois disso, tudo em sua vida havia mudado, quantas pessoas boas ele havia conhecido, e agora isso, sim, Joseph Smith, o profeta, “era um rapaz puro, sincero e honesto”. Coincidências? Sim, coincidências sagradas, não tinha como negar, em seu coração ele sentia que estes eventos de alguma maneira haviam sido maravilhosamente sincronizados por Deus. O Pai Eterno estava lhe mostrando que Joseph Smith havia sido um homem bom.

Impressionado com o que havia acontecido, naquela semana meu amigo voltou àquela mesma funilaria, chamada Vitória, na Avenida Osmundo dos Santos Pelegrini, em Jundiaí, na qual ele havia lido aquela frase 13 anos atrás. Chegando lá ele descobriu que havia mudado de proprietário, e sua querida frase havia sido apagada da parede. No lugar dela, eles haviam escrito a seguinte frase (abaixo uma foto que eu mesmo tirei esta semana):

“Busquei ao Senhor, e ele me respondeu” Salmos 34:4

 

Naquele mesmo ano de 2013, meu amigo Brandão entrou nas águas do batismo.

No início desta semana eu entrei em contato com o Brandão pedindo-lhe autorização para contar sua história em meu blog, e ao contar-lhe que publicaria o artigo hoje, dia 25/03/2017, ele se surpreendeu. Hoje é justamente o dia de seu aniversário. Mais uma coincidência? Claro que sim. Uma coincidência sagrada? Talvez sim, talvez com isso o nosso Pai Celeste esteja querendo dizer mais alguma coisa para o meu amigo. Que possamos ficar mais atentos para as pequenas coisas que ocorrem no nosso dia-dia, pois sinceramente acredito que coincidências significativas em nossas vidas não ocorrem por acaso. Que tenhamos olhos para ver e ouvidos para escutar a voz de Deus, e fé, humildade e vontade para viver de acordo com o que Deus nos mostrar.

Este foi o sétimo artigo da série “Deus fala comigo”, do OrvalhoSUD. Já vimos até aqui que Deus pode falar conosco por meio das escrituras, por sonhos, por um ardor no peito, por uma paz na mente e no coração, por um estupor de pensamento, por impressões que vão contra a nossa lógica racional humana, e agora, por coincidências sagradas. Veremos nesta série um total de 21 maneiras diferentes. Siga-nos pela nossa página do facebook, compartilhe seus comentários ao final dos artigos. Nosso próximo artigo falará sobre “Uma voz imperativa”. Grande abraço e até a próxima semana!